27 de fev de 2013

A Renúncia do Papa e os Reflexos no Mundo

O anúncio da renúncia de Bento XVI  mostra não só uma nova realidade para a Igreja Católica, mas para todo o mundo. É mais um aviso de que transformações importantes estão ocorrendo, que um novo tempo se avizinha.

Essa renúncia não é só uma mera decisão papal, é mais um efeito das grandes transformações que há no mundo e que as velhas estruturas, sejam políticas, econômicas ou religiosas, não podem mais suportar.

Vê-se, por exemplo, a crise financeira mundial, as mudanças climáticas, a "Primavera Árabe", asteróides, tsunamis, terremotos em intervalos muito próximos, grandes transformações sociais e políticas motivadas por redes sociais; enfim, uma série de fatores que têm ocorrido de forma quase que simultâneos.

Há, certamente, diversas formas de enfocar essas grandes transformações. Cada um, com as lentes da sua área de preferência ou ofício, verá as coisas da forma que lhe é possível, fazendo as suas próprias estimativas. Cada enforque, histórico, cultural, econômico, científico ou religioso, daria um livro, o que não cabe aqui. E nem tenho preparo para isso.

Porém, apenas por recreação, e tomando o ponto "renúncia papal" como referência (já que, de todos os eventos, parece-me o mais impactante por ter ocorrido menos vezes em 2.000 anos de História), tiro as seguintes conclusões:

a) Aposentadoria compulsória, em um dado momento, é necessária; seja na Igreja, seja em outas áreas da vida;

b) A Igreja deve rever seus conceitos. Não sei como fará isso. Nao sei como conciliar as mudanças com a Bíblia que, do ponto de vista literal, é estática; ou qual será a base teológica para se conciliar os novos tempos a uma doutrina pregrada há séculos pela Igreja, sem se ser injusto com antigos condenados e excomungados;

c) Se um Papa pode renunciar (abdicar, desistir) qualquer um de nós pode fazê-lo, já que, notadamente, isso é muito mais difícil para o Papa. Aliás, ficou até elegante o Papa admitir a própria limitação. Ninguem precisa se torturar para cumprir o que não consegue; embora, o esforço seja "conditio sine qua non" para legitimar a renúncia elogiável;

d) Às vezes, força pode parecer fraqueza. Julgamentos precipitados confundem as coisas;

e) O mundo muda. Lutar contra as mudanças é mergulhar em sofrimento e esterilidade funcional;

f) "Entramos" na era da flexibilidade, da faculdade de revisão sem culpa dos próprios conceitos. Embora a natureza já faça isso desde que o mundo é mundo. A própria seleção natural de Darwin, evidencia o descarte natural de velhas formas que não sevem mais ao propósito da vida;

g) É preciso abrir espaço para o novo, sem descuidar do velho;

h) Há coisas que não podemos vencer, mas isso não quer dizer que não podemos fazer nada. Apenas não devemos tentar resolver tudo sozinhos;

i) A vida segue, com seus mistérios e surpresas...




 








21 de fev de 2013

Por que não deixam Yoani falar?


Mais uma vez, uma turba de pessoas, patrocinadas ou  ignorantes, impede Yoani Sánchez de falar.

Falo patrocinadas ou ignorantes, porque, ou são motivadas economicamente para defender os interesses de Cuba (o que é pouco provável) ou são ignorantes mesmos, secundando algo que muito provavelmente desconhecem.

Duvido que qualquer dessas pessoas, que bradam contra Yoani, conheça Cuba ou os irmãos Castro. Talvez, nem mesmo saibam o que seja ditadura. Não creio sequer que tenham visitado o "Generacion Y". Devem ter lido algumas poucas linhas na internet e arvoraram-se no direito de censurá-la sem conhecimento de causa.

Yoani, apesar de enérgica e incompreensivelmente perseguida, ofendida e humilhada (mesmo aqui no Brasil), vale-se apenas da palavra como arma. Sequer a vi, em momento algum, mudar o tom de voz ou ofender quem quer que seja.

Enquanto a moça, com sorriso doce e suave timbre de voz, só quer falar, mostrar seu livro, trogloditas pseudointelectuais, caras pintadas e com narizes de palhaço, impedem-na.

Tão grosseiras são essas manifestações contra a inofensiva e doce cubana, que sequer dá para contra-argumentá-las.

Apesar disso, educadamente, Yoani dá um show limitando-se a dizer: "- Eles gritam porque não têm argumentos". E não têm mesmo, embora a questão não seja de argumentos, mas de falta de educação.

Se não quiserem concordar com ela, não concordem. Mas, pelo menos, escutem-na.

A inspeção veicular é legítima?

Não! Não é.

Há opiniões contrárias à minha, claro; mas, para mim, trata-se de mais uma forma de onerar o contribuinte, já combalido pela carga tributária que repousa em seus ombros.

Sob argumento inconsistente - até mesmo moralmente inaceitável - o programa inspeciona todos os veículos visando reduzir a poluição do ar e assim melhorar a qualidade de vida das pessoas. Há um claro vício nesse argumento, uma incongruência entre o objeto e a finalidade.

Se o objetivo fosse mesmo restringir a circulação de veículos poluentes, de forma efetiva, as montadoras é que deveriam ser fiscalizadas e, em caso de descumprimento, punidas. São elas que despejam carros no mercado e têm controle total sobre o processo produtivo.

As pessoas simplesmente compram carros regulamentados pelo governo. Fazem financiamentos, pagam pesados juros e, depois de realizado o sonho, pagando uma série de impostos agregados e cumulativos, vem mais taxas: IPVA, licenciamento, seguro obrigatório extorsivo, inspeção veicular, pesadas multas resultados das arapucas das estradas...

Em contrapartida, estradas ruins, assaltos nos congestinamentos, excesso de radares, limites de velocidades desajustados e sem harmonia com a via pública.

Carro virou mais uma fonte de receitas. É por isso que se penaliza o coitado do contribuinte, que não aguenta mais carregar o Estado nas costas.

2 de fev de 2013

Renan Calheiros: "A Ética é só um meio..."

Esse senhor faz o Brasil de besta!

Usa mal as instituições e a lei, torcendo-lhes o propósito de acordo com o seu interesse e do seu seleto grupo de amigos.

Era presidente do Senado (antigamente eu escrevia "presidente" com letra maiúscula), quando renunciou em 2007 para escapar da cassação... (inocentes renunciam?).

Ele fugiu do exame do mérito pelos seus próprios pares. Temeu as consequências pelas c#&2#*$ que fez, ou seja, amarelou. Havia ou não algo de podre na sua vida?

Porém, ao menos por enquanto, ele escapou apenas do fraco sistema de controle do Senado (que, convenhamos, é inexistente, né?). O procurador geral da República, Roberto Gurgel, está na sua cola. Aliás, Gurgel confirmou que  "o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) é acusado de ter praticado três crimes: peculato, falsidade ideológica e utilização de documento falso. O documento com as denúncias foi apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada" (link). Tudo bem que, por enquanto, ele é só um "mero" acusado; mas, se for condenado, o que é que tem? O Genoíno foi condenado e acabou virando deputado...

A coisa é tão escrachada que no seu discurso Renan Calheiros afirma  textualmente: "- A ética, é só um meio, não é um fim...". Meeeeu Deus do céu!!! Ética é um meio? Quer dizer que o fim justifica os meios? É isso senador?

Como brasileiro eu fico pensando: José Saney ocupou tanto tempo a cadeira da presidência que parecia proprietário da instituição. Agora, alterna com Renan Calheiros... O que é que está acontecendo lá? Certamente há algo estranho, muuuuito estranho. Será que TODOS  os demais senadores são incompetentes e desqualificados a ponto de não terem condições de concorrerem à presidência da Casa para depurar tamanha ofensa à dignidade do Brasil?

Como brasileiro eu fico bastante preocupado com essa situação. Dá-me a impressão, de que é normal ser corrupto, que é normal renunciar para burlar o sistema de controle e depois retornar com honras e glórias...

Parece-me que o Brasil tem dono, e esse dono não somos nós.