26 de set de 2012

O julgamento do Mensalão e os Ministros do STF

Joaquim Barbosa estava indo bem...
É preciso tomar cuidado para não deixar o ego suplantar o profissional.
Convém respeitar o direito dos demais Ministros em expressar seus votos com liberdade de convicção, ao invés de meter-se numa vã tentativa de enfeixá-los numa interpretação exclusivamente "barbosiana".
O STF tem que ser multiplicidade de pontos de vista. Caso Barbosa não consiga suportar isso, deveria considerar a possibilidade de se tornar juiz monocrático.

21 de set de 2012

Maomé e as Charges

É certo que toda religião deve ser respeitada, mas NENHUM abuso ao direito de expressão (e isso infelizmente há e sempre haverá) deve ser coibido com protestos que provoquem sofrimento e morte. Não é essa sociedade que queremos.
Se Maomé é bom, não deve desejar o mal.
Se Deus é onipotente, não precisa da nossa proteção. Ele sabe se defender sozinho.


Revista alemã anuncia que vai publicar nova charge de Maomé


20 de set de 2012

O pouco efeito da Selic sobre o crédito

Por Luis Nassif

Há um enorme desconhecimento de senso mínimo de proporção na cobertura econômica.

Jornais de ontem informavam que a redução da taxa Selic – de 8% para 7,5% ao ano – não havia se refletido nas taxas do cheque especial (caiu de 8,03% para 8,01%) e empréstimo pessoal (de 5,39% para 5,37% ao mês).

Vamos a algumas contas básicas.
A redução da Selic foi de 0,5% ao ano.
0,5% ao ano significa 0,04% ao mês.

Seja redução de 0,04% ao mês ou 0,02% ao mês, a diferença é insignificante.

Esse é o ponto no qual venho batendo há tempos. É tão relevante a diferença entre a Selic e as taxas de mercado, que elevações ou reduções da taxa em nada impactam a demanda ou a formação de estoques.

Dias desses, o “professor de Deus”, Alexandre Schwartsman, escreveu longo artigo pretendendo tirar do Banco Central o mérito pela queda da inflação. Disse – com proficiência – que a Selic em nada interferiu na queda, que os efeitos vieram do exterior.

Pela primeira vez seguiu a lógica. E, seguindo a lógica, se deveria concluir que não foi a elevação da Selic quem produziu a redução da inflação a partir de 2011, mas o próprio mercado internacional, reduzindo o impacto das elevações das commodities.

Do lado da demanda, as taxas de juros influem de duas maneiras:
Encarecendo o crédito ao consumidor.
Aumentando o custo de manutenção de capital de giro pelas empresas.

Para ser eficaz, ambos os custos deveriam subir em nível tal que desestimulassem as operações. No caso do capital de giro, a redução poderia ocorrer devido ao aumento do custo do giro e também pela redução do nível de consumo. Se a Selic em nada interfere em ambos, do lado da demanda é inócua.

Muito mais eficazes foram as medidas prudenciais, regras inibidoras de financiamento e aumento do compulsório (a parcela dos depósitos bancários recolhidas ao Banco Central).

O impacto maior da redução da Selic se dá no campo do investimento.

Nos planos de investimento, os prazos são elásticos – em média 20 anos, especialmente em obras de infraestrutura.

Na hora de calcular a taxa de retorno, os investidores tomam como parâmetro a Selic. Se a taxa cai, significa que o investidor aceitará uma taxa de retorno menor. Aceitando, haverá um aumento no valor inicial do investimento.

Uma redução de 0,5% ponto na Selic, em um investimento de 20 anos de prazo, significará um aumento de 3,8% no valor do investimento – mantidas as demais variáveis. Se se analisar a queda total da Selic – de 12% para 7,5% - significou um aumento de 36% nos investimentos previstos em um plano de negócios.

A conta é simples:
Suponha uma taxa de retorno de 12% ao ano, um prazo de 20 anos e uma rentabilidade de (por hipótese) R$ 1.000/ano. Nessa hipótese, o investidor aceitaria pagar R$ 7.469,00 por uma rentabilidade de 12% ao ano.
Se a taxa de retorno cai para 7,5%, e o lucro continua em R$ 1.000,00, o valor do investimento subiria para R$ 10.195,00. Unicamente pelo efeito taxa de juros.

Do lado oposto, quando o BC aumentava a Selic, para conter a demanda, o efeito que conseguia era inverso: desestimulava a oferta, aumentando o descompasso entre oferta e demanda.

18 de set de 2012

Eike, Thor e a EBX


Do ADVFN:

"Eike Batista elege filho para direção da EBX Brasil
O conselho de administração da EBX Brasil aprovou ontem a eleição de Thor Batista, filho do mega empreendedor Eike Batista e controlador do Grupo EBX, como Diretor da EBX Brasil. A principal atividade desenvolvida pela EBX Brasil é a participação no capital de outras sociedades, atualmente participando da LLX Brasil e MMX Corumbá. Thor Batista foi eleito para ocupar o cargo de Diretor, sem designação específica, e renunciou ao recebimento de qualquer remuneração, tendo em vista que já é remunerado por outras empresas sob controle comum. A nomeação de Thor Batista ao cargo de Diretor virou piada na internet e redes sociais, principalmente por Thor ser ainda muito jovem com apenas 21 anos de idade. No entanto, apesar dos comentários maldosos pela internet, é muito provável que Eike Batista queira uma maior presença do filho durante os processos administrativos de suas companhias para aprender seu estilo de gestão. Afinal, o império criado por Eike eventualmente passará para as mãos de seus herdeiros, sendo Thor o mais velho deles. "


...

Bom, a EBX é do Eike, o capital é do Eike, Thor é do Eike...

Qual o problema em colocar Thor como "Diretor" se na prática está  tudo como sempre esteve?

É óbvio que Thor terá a supervisão técnica do Eike. Ademais, sendo aquele filho deste, é natural que  este deva prepará-lo para uma futura sucessão, ainda que distante.

Na Inglaterra  há príncipes jovens e peraltas, não há? No Brasil há vários Prefeitos, Vereadores, Deputados, Juízes, Promotores, Médicos, etc. Todos igualmente jovens. Se for para haver um controle em relação à idade que haja nas empresas e órgãos públicos, não nas empresas privadas.


Logo, nada há de mais no fato de Thor ser colocado como diretor da EBX (que, aliás, ainda é de capital fechado).

Portanto Eike, fique tranquilo e deixe o Thor lá.  Eu autorizo! Se der merda, eu seguro a onda.


6 de set de 2012

A lenta recuperação da economia


Por Luis Nassif

Para duas instituições representativas da indústria – a CNI (Confederação Nacional da Indústria) e o IEDI (Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial) – o setor começa a mostrar sinais de recuperação.

A CNI aposta em retomada de crescimento nos próximos meses, conforme avaliação do seu gerente executivo, Flávio Castelo Branco. A pesquisa Indicadores Industriais revelou uma queda no faturamento real do setor, de 2,4% em julho em relação a junho. Mas comprou um aumento na UCI (Utilização da Capacidade Instalada) de 80,7% para 81,6%.

Houve aumento de 0,2% do emprego – terceiro seguido -, embora as horas trabalhada tenham caído 0,3%. Ambas as mudanças apontam para estabilização, interrompendo o processo de queda. A aposta na melhoria de desempenho se deve à queda dos juros, à desoneração de bens duráveis e dos encargos sobre a folha de salários em vários setores.

"Muito dificilmente o PIB chegará no final do ano crescendo a 4 ou 4,5% na ponta, como prevê o Ministro da Fazenda Guido Mantega. Conseguiu-se interromper a queda, mas o ritmo da recuperação ainda é uma incógnita"

Dois dos 19 setores pesquisados tiveram comportamento negativo: metalurgia básica e borracha e plástico. No primeiro caso, queda de 5,5% no faturamento e de 2,3% na produção em relação a julho de 2011. NO segundo caso, queda de 1% no faturamento.

Mesmo recuperando-se no segundo semestre, o panorama do ano não é animador. Segundo o IEDI, há a possibilidade da recuperação não compensar as perdas do primeiro semestre, fechando o ano com queda. No primeiro semestre, a queda foi de 3,7%.

Assim, há que se analisar os resultados na “margem”, na ponta. Justamente os aumentos na produção de bens de capital e na utilização de capacidade interna. O IEDI entendeu que investimentos podem estar se recuperando assim como as compras internas dentro da indústria. Saliente-se o fato de que12 segmentos apresentaram resultado positivo em julho.

Mesmo assim, os dados do ano assustam: 

“Ainda na comparação com julho de 2011, a produção de bens de capital caiu 9,1% em julho deste ano, assim como recuaram as produções de bens duráveis (–2,7%), de bens semi e não duráveis (–2,3%) e de bens intermediários (–1,7%). No acumulado dos sete primeiros meses do ano, as quedas de produção são muito significativas em bens de capital (–12,0%), em bens duráveis (–8,4%) e em bens intermediários (–2,5%). A produção de bens de consumo semi e não duráveis também caiu no acumulado do ano até julho, mas em menor proporção (–0,5%)”.

Numa outra frente importante para a definição do PIB (Produto Interno Bruto), a construção civil, o mercado continua aquecido. O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) de agosto, medido pelo IBGE, apresentou alta de 5,49% nos últimos doze meses.

O Rio de Janeiro registrou o maior custo por metro quadrado do país, com R$ 951,86. Esse índice serve de parâmetro para a fixação de custos de execução de obras públicas.

Muito dificilmente o PIB chegará no final do ano crescendo a 4 ou 4,5% na ponta, como prevê o Ministro da Fazenda Guido Mantega. Conseguiu-se interromper a queda, mas o ritmo da recuperação ainda é uma incógnita.

Como dizia o ex-Ministro Mário Henrique Simonsen, produzir queda na atividade econômica é como puxar um saco com uma corda; retomar o crescimento é como empurrar o saco com a corda.

3 de set de 2012

Bolha Imobiliária?


O preço dos imóveis tem me preocupado bastante.

Sabemos que há um "déficit de moradias" imenso, mas há que se considerar que esse déficit não é porque faltam imóveis no mercado, faltam é imóveis disponíveis para venda a preços justos.

Há muitas pessoas com diversos imóveis e muitas pessoas sem imóvel nenhum.
 
Com a especulação provocada pelo aquecimento do setor imobiliário muitas pessoas  aventuraram-se a adquirir imóveis para especular, e ainda continuam fazendo isso. Outras, que pretendem simplesmente morar, entram perigosamente num financiamento de longo prazo sob o pretexto de juros baixo; mas esquecem-se que juros baixos sobre preços inflados é o mesmo que juros altos sobre preços baixos. Não importa para onde o dinheiro está indo (se para o banco ou para as construtoras), mas de onde ele está saído, e, no caso, é do bolso do consumidor que, cada vez mais, compromete sua renda futura.

Não é possível um cidadão da classe média, extremamente vulnerável à crise, meter-se num financiamento para comprar um imóvel de 300 ou 500 mil. Hoje, paga-se cerca de meio milhão numa casa ou apartamento sem que haja lastro do consumidor e da própria Economia. Para agravar ainda mais a situação, financia-se a longo prazo carros, móveis e viagens, comprometendo-se seriamente a renda  futura.

Em havendo um aprofundamento da crise, os imóveis mantidos em carteira serão desovados no mercado, derrubando os preços; ao passo que, quem comprou para morar, estará pagando caro por algo que valerá  menos do que o preço adquirido.

Se eu não estiver enganado (e, sinceramente, espero que esteja), será um Deus-nos-acuda.