10 de abr de 2012

Pré-Sal: será que estamos preparados?



Quando se anunciou a descoberta do Pré-Sal foi um alvoroço do Oiapoque ao Chuí: "Estamos ricos!!!", "O petróleo é nosso!!!" (como diria Vargas). 

Em princípio, como a grande maioria, sucumbi à campanha e inclinei-me a  acreditar nisso. Mas, atualmente,  diante dos últimos acontecimentos e do amadurecimento tecnológico pelo qual passa o mundo, tenho sérias dúvidas.

Não estou querendo ser o chato da turma. É que, realmente, embora sem entender muito do assunto, não me sinto confortável com esse tal de Pré-Sal.

Primeiro, porque a era do combustível fóssil está ficando para trás em razão da redução dos níveis das jazidas mundiais. Segundo, porque as questões ambientais, cada vez mais, advogam contra o uso desse combustível tanto em razão da emissão de gases, quanto dos “acidentes” provocados na extração e transporte, especialmente os vazamentos.  Notem, por exemplo, o caso da BP no Golfo do México, e, mais recentemente, da Chevron e Petrobrás. Os danos ambientais foram enormes.

Se os níveis de petróleo estão se reduzindo mundo afora, é natural que os países procurem mudar suas matrizes energéticas para outras mais sustentáveis, o que coloca o petróleo em segundo plano.  Basta lembrar que o uso de energia elétrica em veículos é cada vez mais concreto. No Brasil até já existe veículos elétricos circulando.  O Etanol e o Biodiesel são comuns hoje em dia e, há quem diga, o Hidrogênio promete ser o combustível do futuro.

É claro que o petróleo ainda durará algumas décadas para ser substituído - prazo em que haverá um certo interesse do mundo pelas nossas reservas -, mas o Brasil deve ficar atento que seu uso já está no topo da curva. Entrar nessa de cabeça sem dar a devida atenção às alternativas tecnológica e ecologicamente mais sustentáveis pode ser um suicídio econômico.


Francamente, e como um bom brasileiro, com visão de longo prazo, acho que o Pré-Sal nem mesmo deveria ter sido descoberto, o que ajudaria a baixar mais rapidamente as reservas de petróleo do mundo e o forçaria a uma migração mais rápida para alternativas limpas mais viáveis.

Nenhum comentário:

Postar um comentário