2 de abr de 2012

Buffett e a China

Warren Buffett disse que a China é um mercado excepcional, o que estimulou muitos investidores a desviar recursos do Brasil para lá. Porém, convenhamos, ele apostou uma fortuna no Goldman Sachs, que manipulava criminosamente, análises no mercado financeiro. Investiu US$ 5 bi nesse banco e, garanto a vocês, ele anda um tanto quanto preocupado.

Errou grosseiramente no cálculo que fez a respeito da recuperação da economia americana e mundial e reconheceu isso de forma expressa.

Bom, por óbvio, como esses há uma série de outros erros de Buffett ao longo da sua vida. É claro que não estou querendo diminuí-lo. Isso seria impossível (e injusto) face os seus méritos incontestáveis nos investimentos ao longo do tempo, mas quando ele erra não é pouco, é na proporção do seu patrimônio.

E creio que o guru esteja errando novamente ao superavaliar a China. Ele está atrasado de novo!

A China vive hoje uma perigosa bolha especulativa sem precedentes noteadores, tanto que o Governo já percebeu isso e acionou o freio. Ela tem reservas significativas sim, que a tornam capaz de controlar uma eventual crise interna, mas, é bom registrar, isso seria um controle artificial e temporário que poderia potencializar o crescimento da bolha.

Item importante a considerar é o crescimento da inflação chinesa e a pressão internacional para valorizar sua moeda. Ou seja, a China está entre a cruz e a espada. Precisa valorizar o yuan para ficar bem com a comunidade internacional (isso dificulta suas exportações, posto que encarece a produção) e precisa equacionar o mercado interno (restringir crédito, controlar a inflação e o nível de emprego): duas lutas extremamente difíceis.

O Brasil está melhor fundamentado, com contas equilibradas, câmbio desajustado mas não tão longe do ponto de equilíbrio, investimentos consistentes em infra-estrutura (com um pouco atrasado), economia estável, empresas fortes e bem aparelhadas tecnologicamente, formação crescente de mão-de-obra qualificada, setor de energia em franco desenvolvimento, matérias-primas fartas, democracia consistente, instituições públicas sendo reestruturadas, segurança jurídica sendo implantada paulatinamente (há alguns pequenos tropeços), população economicamente ativa ainda jovem, etc.

Portanto Sr. Buffett, com todo o respeito, reserve um pouco de dinheiro para o Brasil, senão o senhor terá que dizer em mais uma Carta aos Acionistas: “Desculpem-me, errei de novo!”.

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