27 de mar de 2012

A China vai dominar o mundo






Artigo de LUCIANO PIRES 
Revisão: Paulo França (*)
www.soeconomia.com.br


Por Luciano Pires - Profissional de comunicação, jornalista, escritor, palestrante e cartunista. Para saber mais sobre o autor desse artigo acesse www.lucianopires.com.br.

Alguns conhecidos voltaram da China impressionados. Um determinado produto que o Brasil fabrica um milhão de unidades, uma só fábrica chinesa produz quarenta milhões. A qualidade já é equivalente. E a velocidade de reação é impressionante. Os chineses colocam qualquer produto no mercado em questão de semanas com preços, que são uma fração dos praticados aqui. 

Uma das fábricas da China está de mudança para o interior, pois os salários de uma grande cidade onde está instalada estão altos demais: 100 dólares.  Um operário brasileiro equivalente ganha 300 dólares no mínimo, que acrescidos de impostos e benefícios, representam quase 600 dólares. Comparados com os 100 dólares dos chineses, que recebem praticamente zero de benefícios. Nâo há praticamente previdência social na China.
Hora extra? Na China? Esqueça! O pessoal por lá é tão agradecido por ter um emprego, que trabalha horas extras sabendo que nada vai receber. Essa é a armadilha chinesa. Que não é uma estratégia comercial, mas de poder. Os chineses estão tirando proveito da atitude dos marqueteiros ocidentais, que preferem terceirizar a produção e ficar com o que "agrega valor": a marca. 

Dificilmente você adquire nas grandes redes dos Estados Unidos um produto feito nos Estados Unidos. É tudo Made in China, com rótulo estadunidense. Empresas ganham rios de dinheiro comprando dos chineses por centavos e vendendo por centenas de dólares. Mesmo ao custo do fechamento de suas fábricas. É o que chamo de "estratégia destrutiva".
Enquanto os ocidentais terceirizam as táticas e ganham no curto prazo, a China assimila as táticas para dominar no longo prazo. As grandes potências mercadológicas que fiquem com as marcas e o design. Os chineses ficarão com a produção, desmantelando aos poucos os parques industriais ocidentais. 

Em breve, por exemplo, não haverá mais fábricas de tênis pelo mundo. Só na China, que então aumentará seus preços, produzindo um "choque da manufatura", como foi o do petróleo. O saldo da balança comercial de produtos manufaturados do Brasil em 2010 deve fechar com déficit de US$ 60 bilhões, grande parte causado pela invasão de produtos chineses.

O mundo perceberá que reerguer suas fábricas terá custo proibitivo. Perceberá que tornou-se refém do dragão que ele mesmo alimentou. Dragão que aumentará ainda mais os preços, pois quem manda é ele, que tem fábricas, estoques e empregos. Uma inversão de jogo que terá o impacto de uma Bomba Atômica Chinesa.

Diante da realidade exposta nesse artigo, os executivos ocidentais tristemente olharão para os esqueletos de suas antigas fábricas, para os técnicos aposentados jogando bocha na esquina e para as sucatas de seus parques fabris desmontados. E lembrarão com saudades do tempo em que ganhavam dinheiro comprando baratinho dos chineses e vendendo caro a seus conterrâneos. E então, entristecidos, abrirão suas marmitas e almoçarão suas marcas.

(*) PAULO França - Publisher da Agência Internacional de Notícias SOECONOMIA (MTB 6194) e Economista pela Universidade de São Paulo (CORECON 4895-1), com Cursos em Ciências Políticas (UNB) e Administração de Empresas (USP) no Mestrado Stricto-Sensu. Membro da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR-813). Professor de Administração de Empresas em Escola Técnica Estadual. Consultor em Captação de Recursos, Atração de Patrocinadores e Assuntos Governamentais. Palestrante em diversos estados do Brasil ministrando cursos sobre captação de recursos, atração de investimentos e obtenção de patrocínios para os setores público e de construção civil, terceiro setor e setores financeiro, em mineração, bens de capital, celulose, tecnologia, hotelaria, automotivo, entre outros. Foi articulista econômico, concedeu entrevistas e fez comentários em Jornais (Valor Econômico, Boletim de Notícias de Goiás e do Distrito Federal, Diário do Comércio, Diário Comércio & Indústria, Diário do Nordeste, Gazeta Mercantil, Tribuna do Brasil, Jornal do Tocantins, entre outros), tendo também experiências em Revistas (Frade, Poder e Digital Diamond Magazine), Rádios (USP FM, UNESP FM, Globo de Fortaleza, Nacional de Brasília, Cacique Internacional e PAX), TVs (Rede Globo do Paraná, Bandeirantes do DF, TV Educativa do Paraná, Rede Gênesis, TV Brasília, PayTV, Rede Mundial da LBV, TV Aparecida, Record Internacional, TV União Planetária (NET e Mais TV), TV Educativa do Tocantins, TV Educativa de Fortaleza e Programa Projeto Brasil) e Internet (IG, Ibest, BrTurbo e Brazilia Today). Autor do Livro Captação de Recursos para Projetos e Empreendimentos com 3.000 exemplares editados e disponível nas Livrarias da Editora Senac, Cultura, FNAC, MegaSaraiva, Submarino, entre outras. Obra considerada Nota 10 pela Universidade Mackenzie e adotada pela Universidade de Barcelona (Espanha).

2 comentários:

  1. Eu vejo este monte de chineses onde trabalho e me lembro do jogo War. Eles estão espalhados pelo mundo todo, aprendem sobre nossas leis locais e temo que amanhã eles queiram dominar cada país. Alguns já trazem a família para morar aqui cujos filhos também estudam em escolas brasileiras, aprendendo nosso idioma. Isso me assusta muito.

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  2. Num mundo globalizado há uma constante tentativa de colonização secundária (ou recolonização) dos países. A china é apenas mais um país que, a custa de preços baixos (ainda que com qualidade duvidosa para o produtos que atingem à massa), tem conseguido um êxito crescente. E consegue, também, atingir público mais seletivo oferecendo produtos de melhor qualidade, com preços convidativos.
    Esse é o mundo que construímos: quem pode mais chora menos.
    Aprender nosso idioma não é o objetivo chinês. Eles agem como os EUA, que transformaram o inglês numa língua universal, facilitando sua difusão cultural). Os chineses querem que assimilemos o idioma e cultura deles. Assim poderão, mais facilmente, ampliar mercados dominando países de forma econômica e cultural.

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